A escassez de talentos na área de tecnologia na América Latina: dados que toda empresa deve conhecer

A escassez de talentos na área de tecnologia na América Latina: dados que toda empresa deve conhecer

A lacuna de talentos tecnológico na América Latina deixou de ser um problema exclusivo das áreas de TI. Hoje, é um fator que afeta a capacidade de crescimento, inovação e competitividade das empresas em toda a região. O problema não é apenas a falta de perfis especializados; existe também uma grande discrepância entre as habilidades exigidas pelo mercado e aquelas que realmente estão disponíveis. O resultado é claro: vagas difíceis de preencher, transformação digital mais lenta e maior pressão sobre as equipes existentes. 

A região avança digitalmente, mas não no mesmo ritmo que sua demanda por talentos

O Fórum Econômico Mundial destaca que, na América Latina e no Caribe, apenas cerca de dois terços dos lares têm acesso à internet, um número abaixo da média da OCDE. Ao mesmo tempo, a digitalização já é vista como um dos principais motores de transformação do mercado de trabalho em economias como Argentina, Brasil, Colômbia e México. Ou seja, a demanda das empresas por competências digitais cresce em uma região onde as bases de acesso e formação ainda são desiguais.  

Essa tensão entre o avanço tecnológico e a oferta limitada de talentos explica por que a lacuna se tornou tão visível. O BID alerta que a América Latina e o Caribe precisam de uma estratégia mais clara para desenvolver habilidades digitais, especialmente na população economicamente ativa, em grupos com maior risco de exclusão e na formação de especialistas em tecnologias digitais. Além disso, ressalta que eliminar essa lacuna não implica apenas alfabetização digital básica, mas também preparar talentos para conseguir emprego, melhorar sua situação profissional e atender à demanda por especialistas, ao mesmo tempo em que se reduz a lacuna digital de gênero. 

A região avança digitalmente, mas não no mesmo ritmo que sua demanda por talentos

Os dados do Relatório sobre o Futuro do Trabalho 2025 mostram que a escassez de competências já é um obstáculo central para a transformação empresarial. Globalmente, 63% dos empregadores identificam a falta de competências como o principal obstáculo para transformar seus negócios entre 2025 e 2030. Na América Latina e no Caribe, a reação empresarial é ainda mais clara: 84% dos empregadores planeja capacitar ou requalificar sua própria força de trabalho para atender à crescente demanda por talentos digitais e tecnológicos.  

A mesma análise do Fórum Econômico Mundial revela outro sinal relevante para as empresas: na região, oito em cada dez empresas esperam melhorar o desenvolvimento de talentos dentro de suas equipes nos próximos cinco anos, mas apenas pouco mais de um terço acredita que a disponibilidade de talentos irá melhorar no mercado aberto. Em outras palavras, muitas organizações já não confiam que o mercado resolverá por si só a escassez de talentos em tecnologia.  

Além disso, a pressão não é uniforme. Na Colômbia, por exemplo, 65% dos empregadores identificam a lacuna de habilidades como uma barreira fundamental para a transformação, enquanto 61% também aponta por estruturas regulatórias ultrapassadas ou inflexíveis. No Brasil, quase nove em cada dez empresas planejam apostar na qualificação de sua força de trabalho nos próximos anos. Isso reforça uma ideia importante: a competição por talentos em tecnologia não será resolvida apenas com recrutamento, mas com estratégias internas de formação e retenção. 

Os perfis de tecnologia que mais crescerão não são os tradicionais

Outro ponto que toda empresa deve ter em mente é que a demanda não se concentra apenas em desenvolvedores ou engenheiros de software. O Fórum Econômico Mundial identifica os analistas de big data e os especialistas em inteligência artificial e aprendizado de máquina como algumas das profissões que mais crescem na América Latina e no Caribe. Ao mesmo tempo, a região também registra uma maior necessidade de competências sociais, como liderança, influência social, resiliência e pensamento criativo.  

Isso muda completamente o panorama para os Recursos Humanos e para a liderança empresarial. A lacuna de talentos em tecnologia não deve mais ser entendida apenas como falta de domínio técnico. As empresas precisam de perfis que combinem habilidades digitais com comunicação, aprendizagem contínua, adaptabilidade e trabalho interdisciplinar. O desafio, portanto, não é contratar “mais talentos em tecnologia”, mas sim contratar e desenvolver talentos capazes de atuar em ambientes digitais em rápida evolução. 

Segurança cibernética: uma prova concreta da escassez de talentos

Se uma empresa quiser entender como se apresenta a lacuna tecnológica em termos concretos, o caso da segurança cibernética é particularmente útil. A OCDE analisou quase 14 milhões de vagas online no Chile, na Colômbia e no México para estudar a demanda por talentos em cibersegurança. Sua principal conclusão é contundente: entre 2021 e 2022 a demanda por esses perfis cresceu fortemente nos três países, e no Chile e México , a um ritmo superior ao das demais ocupações. 

Os dados específicos mostram a magnitude do fenômeno: a demanda por profissionais de segurança cibernética cresceu 28,7% no Chile20,9% na Colômbia e 64,6% no México. No México, além disso, os cargos de arquitetos e engenheiros de segurança cibernética concentraram 34% das vagas do setor; na Colômbia, os analistas de segurança cibernética foram a função com maior peso.

Nível América Latina

Se uma empresa quiser entender como se apresenta a lacuna tecnológica em termos concretos, o caso da segurança cibernética é particularmente útil. A OCDE analisou quase 14 milhões de vagas online no Chile, na Colômbia e no México para estudar a demanda por talentos em cibersegurança. Sua principal conclusão é contundente: entre 2021 e 2022 a demanda por esses perfis cresceu fortemente nos três países, e no Chile e México , a um ritmo superior ao das demais ocupações. 

Os dados específicos mostram a magnitude do fenômeno: a demanda por profissionais de segurança cibernética cresceu 28,7% no Chile20,9% na Colômbia e 64,6% no México. No México, além disso, os cargos de arquitetos e engenheiros de segurança cibernética concentraram 34% das vagas do setor; na Colômbia, os analistas de segurança cibernética foram a função com maior peso.

De modo geral, a escassez de talentos em segurança cibernética na América Latina é uma realidade urgente: a região registra um déficit de 329.000 especialistas, o que representa uma parte significativa do déficit global de 4,8 milhões. Essa escassez tem consequências diretas, já que 86% das organizações sofreu pelo menos uma invasão em 2024, enquanto 58% relatam dificuldades para encontrar talentos em redes e segurança, o perfil mais escasso do setor. Nesse contexto, vale destacar que as mulheres representam apenas 1 em cada 4 profissionais em segurança cibernética, o que evidencia não apenas uma lacuna de gênero, mas também uma enorme oportunidade para que mais mulheres ingressem em um setor que precisa delas com urgência.

Para as empresas, a conclusão é clara: quando as novas funções exigem experiência prévia, certificações e domínio técnico especializado ao mesmo tempo, o leque de talentos se estreita. Isso pode ser útil para filtrar candidatos, mas também pode agravar a escassez se a organização não criar caminhos intermediários de ingresso, aprendizagem e crescimento. 

IA: a próxima onda de pressão sobre o mercado de trabalho

A essa situação soma-se o avanço acelerado da inteligência artificial. O Banco Mundial relata que, entre 2021 e 2024 as vagas que exigiam habilidades em IA cresceram 16% em países de renda média-alta e 11% em países de renda média-baixa, em comparação com 2% em países de renda alta. Para a América Latina, onde várias economias relevantes se situam na categoria de renda média alta, isso sugere uma clara aceleração na demanda por talentos com habilidades relacionadas à IA. 

O próprio Banco Mundial alerta que os países de baixa e média renda enfrentam sérios desafios para adotar a IA em grande escala, e que um dos fundamentos essenciais para alcançar esse objetivo é a competência, ou seja, as habilidades necessárias para usar, adaptar e desenvolver essas tecnologias. Para as empresas latino-americanas, isso significa que a escassez de talentos não afeta apenas o presente; ela também condiciona a velocidade com que elas poderão gerar valor em automação, análise avançada e inteligência artificial aplicada. 

O que uma empresa deve fazer diante dessa lacuna

A primeira conclusão é que continuar recrutando com critérios tradicionais já não é suficiente. Se o mercado está em escassez, exigir experiência prévia em tudo, mais certificações, mais inglês, mais ferramentas e maior especialização em cargos de nível inicial apenas reduz ainda mais a disponibilidade real de candidatos. A segunda conclusão é que a questão do talento em tecnologia não se resolve apenas “comprando-o” no mercado; cada vez mais empresas terão que treiná-lo, desenvolvê-lo e retê-lo internamente.  

Uma resposta empresarial mais realista passa por quatro frentes: contratar com maior foco em competências comprovadas, criar caminhos de entrada para talentos juniores, investir em aperfeiçoamento e requalificação profissional, e estabelecer vínculos com ecossistemas de formação técnica, certificações e talentos emergentes. Essa lógica é consistente com o que tanto o BID quanto o Fórum Econômico Mundial já demonstram hoje: a região precisa de melhores estratégias de competências digitais, e as empresas já estão começando a assumir que uma parte importante da solução estará dentro de suas próprias organizações. 

Conclusão

A lacuna de talentos tecnológico na América Latina não é uma percepção isolada nem uma moda do discurso empresarial. Dados recentes mostram uma combinação clara: digitalização crescente, oferta insuficiente de habilidades, expansão acelerada de áreas como segurança cibernética e IA, e empresas que já reconhecem que deverão investir mais na formação de seu próprio talento. Quem entender isso antes terá vantagem competitiva. Quem ignorar isso provavelmente enfrentará mais vagas em aberto, maiores custos de contratação e uma transformação digital mais lenta. 

Fontes: 

  1. Relatório da Fortinet sobre a lacuna de competências em segurança cibernética para 2025

 

  1. Estudo sobre a Força de Trabalho em Segurança Cibernética da ISC2 2024

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